Diagnóstico independente feito sem acesso às contas, apenas com o que é público: os anúncios ativos na Biblioteca de Anúncios, o perfil do Instagram, a busca do Google, o perfil do Google Meu Negócio e uma auditoria técnica do site em ambiente real de navegador.
A Uniodonto Garanhuns tem tudo o que uma operação de tráfego pago normalmente demora anos pra construir: 30 anos de mercado, registro ANS, marca cooperativa nacional, rede credenciada própria, plantão 24h, sede física na Rua Dr. José Mariano e uma identidade visual recém renovada. Em Garanhuns, uma cidade de cerca de 152 mil habitantes, isso é autoridade que dinheiro nenhum compra rápido.
O que falta é a engrenagem: os anúncios não conversam com o site, o site não mede o que acontece nele, o formulário não gera evento, e o lead que chega se espalha por quatro números de telefone diferentes. A empresa é forte. O funil é que vaza.
Os planos exclusivamente odontológicos fecharam o 1º semestre de 2026 com recorde de 36,7 milhões de beneficiários no Brasil, com alta de mais de 8% em doze meses. É a modalidade de maior crescimento relativo da saúde suplementar.
Os planos coletivos empresariais representam 74,8% de todos os beneficiários odontológicos do país. Nenhum dos 4 anúncios ativos da Uniodonto fala com empresa, RH ou empresário. Toda a verba está apontada para pessoa física.
| Frente | Situação observada | Leitura |
|---|---|---|
| Meta Ads | 4 anúncios ativos. O mais antigo no ar desde 17/05, os outros de 25/05, 10/07 e 08/08. Todos com destino WhatsApp. | Nenhum leva ao site. Sem site no caminho, não existe remarketing nem base própria. |
| Copy | Dois anúncios rodam exatamente o mesmo texto. Um deles carrega o erro "é uma investimento". Um usa hashtags (#Economia, #SaúdeBucal) dentro de anúncio pago. | Pouca variação real de teste e revisão frágil em peça paga. |
| Oferta | Nenhum dos 4 anúncios cita preço, prazo de carência, número de procedimentos ou condição. | O site vende a partir de R$60/mês. A âncora de preço, que é o gatilho mais forte da categoria, não está sendo usada. |
| Formato | Três vídeos (28s, 33s e 43s) e um estático. Vídeos longos para topo de funil frio. | Hipótese a validar com retenção real dentro do Gerenciador. |
| 2.299 posts e 6.009 seguidores. Segue 3.406 contas. Baixo engajamento e sem campanha de alcance apoiando o perfil. | Volume alto de produção com retorno baixo. O conteúdo existe, a distribuição não. | |
| Site | WordPress com tema Salient e WPBakery. Formulário do HubSpot gratuito embutido em iframe. | Mensuração quebrada. Detalhado na seção 04. |
Leitura de criativo e de fadiga fica em aberto de propósito: sem custo por conversa, volume e retenção reais, qualquer conclusão sobre performance seria chute. Está na lista de perguntas da seção 07.
Medições feitas com navegador real (Chromium via Playwright), em desktop 1440px e mobile 390px, sem limitação de banda. A carga mobile rodou depois na mesma sessão e provavelmente aproveitou cache, então o número bom dela não deve ser usado como referência. O teste oficial de velocidade em 4G fica pendente.
Ordenados por impacto em faturamento, não por facilidade de correção.
O formulário da home é um embed do HubSpot dentro de um iframe de outro domínio. O Pixel do Meta e o GA4 vivem na página de fora e não enxergam o envio que acontece lá dentro. Na prática: quem preenche o formulário não vira evento de Lead em lugar nenhum.
Consequência direta: as campanhas não têm sinal de conversão para otimizar, não é possível calcular custo por lead do site, e nenhum público de conversores pode ser construído.
iframe: js.hsforms.net/ui-forms-embed-components-app/frame.html?_hsPortalId=46091940Em 7 carregamentos monitorados (6 em desktop, 1 em mobile), a biblioteca do Facebook carregou todas as vezes, mas apenas 1 evento PageView chegou de fato ao servidor do Meta, e ele veio da carga mobile. Nas seis cargas desktop, zero, tanto antes quanto depois de aceitar o banner de cookies.
O GA4 tem o mesmo sintoma: só disparou depois do aceite e, ainda assim, o único hit saiu com o sinal de consentimento marcado como negado (gcs=G1--). Isso precisa ser conferido dentro do GTM e no Gerenciador de Eventos antes de qualquer campanha nova.
O aviso de "Privacy by Default" ocupa mais da metade da tela no mobile e cobre a manchete e o formulário inteiro. As opções são "RECUSAR" e "Sou maior de 18 anos e permito". A primeira coisa que o visitante vindo de anúncio encontra é um bloco jurídico de dez linhas, não uma oferta.
Ele empilha dois problemas: derruba a conversão de quem chega e, enquanto não é aceito, trava a mensuração de marketing. Dá pra manter a conformidade com LGPD sem sacrificar a dobra.
O site distribui vendas em (87) 98128-2109, atendimento em (87) 98113-9104, o botão flutuante de WhatsApp em (87) 98812-3751, mais o fixo (87) 3762-1760 e dois números de urgência. A bio do Instagram mostra outra combinação. Um deles ainda está com link malformado: wa.me/558787988123751 tem 14 dígitos, um "87" a mais que o padrão brasileiro.
Sem um número único de entrada, não existe medir tempo de resposta, taxa de agendamento nem origem do lead. É aqui que a conversa sobre CRM começa a fazer sentido.
Os 4 anúncios ativos têm destino WhatsApp. Isso reduz atrito no primeiro contato, mas cobra caro: nenhum visitante entra na base de remarketing, não se constrói público semelhante a partir de conversores, e o custo por conversa vira a única métrica disponível, sem nada sobre o que acontece depois dela.
A correção não é abandonar o WhatsApp, é rodar as duas rotas em paralelo e comparar custo por venda, não custo por conversa.
O texto acima do formulário diz "preencha o formulário e receba um contato por WhatsApp". O campo obrigatório, porém, é o e-mail, e o telefone é opcional. São cinco campos (Nome, Sobrenome, E-mail, Telefone, Cidade) para um produto de R$60 por mês.
Para essa oferta, o formulário ideal tem dois campos e o telefone obrigatório. Cada campo a mais derruba a taxa de preenchimento.
Logo abaixo do banner institucional aparecem seis cartões, e cinco deles são autoatendimento de quem já pagou: Portal do Cliente, Portal da Empresa, 2ª via de boleto, Portal do Dentista, Buscar dentista. Só um é comercial.
A home trata igual duas pessoas opostas: o beneficiário que quer boleto e o desconhecido que veio de anúncio. O primeiro topo de página deveria ser uma decisão só: quero contratar.
A home mostra Plano Especial a R$60/mês e Plano Premium a R$140/mês. Ao clicar em "Contratar", a pessoa cai numa página com tabela extensa de coberturas, carências e cláusulas, e sem nenhum preço. A única saída é "QUERO CONTRATAR", que joga para o WhatsApp.
Perde-se a âncora exatamente no momento da decisão, e a página de conversão vira um documento contratual.
Nenhum depoimento, nenhuma avaliação, nenhum número de rede credenciada, nenhuma quantidade de vidas atendidas em 30 anos. Numa categoria em que a objeção principal é "será que tem dentista bom perto de mim e será que cobre mesmo?", isso é a prova que mais converte e ela simplesmente não está lá.
A home não tem H1: o título principal está marcado como H3. Nenhuma das três páginas testadas tem meta description. O título de uma delas está escrito "Pano Premium", com erro, e é isso que aparece no Google.
"Plano odontológico em Garanhuns" é uma busca de intenção altíssima e custo zero. Hoje o site não está preparado para disputá-la.
Logo abaixo do formulário aparece, para qualquer visitante, a frase em inglês "Create your own free forms to generate leads from your website". Numa cooperativa de 30 anos com registro ANS, é um ruído de credibilidade gratuito.
A home entrega 1,59 MB em 112 requisições, sendo 676 KB só de CSS, herança do construtor de páginas. O primeiro conteúdo aparece em 3,84 s no desktop com internet boa. Para tráfego pago vindo de celular no 4G, cada segundo aqui é verba queimada antes da página abrir.
Se juntar os achados 01, 02 e 05, o quadro fica claro: não existe nenhum ponto do funil digital da Uniodonto em que uma conversão seja registrada. O anúncio não passa pelo site, o site quase não dispara pixel, e o formulário que existe fica fora do alcance da medição.
Isso quer dizer que o algoritmo do Meta está sendo otimizado só para gerar conversa, sem nunca aprender quem vira cliente de verdade. É a diferença entre pagar por movimento e pagar por venda.
Sem evento de venda voltando para o Meta, a campanha nunca sai do estágio de otimizar por volume de mensagem. Contas que fecham esse ciclo costumam ver o custo por venda cair mesmo com a mesma verba.
Com 30 anos de história e tráfego constante, a Uniodonto deveria ter listas de remarketing gordas e públicos semelhantes de compradores. Do jeito que está, cada real recomeça do zero em público frio.
Toda a mídia da Uniodonto hoje está em Meta. No Google, onde a pessoa já está procurando plano odontológico, a empresa não gasta um real. E a praça não está vazia: está cheia de concorrente nacional pagando para aparecer em cima dela.
Numa busca por "plano odontológico" feita de Garanhuns, a Uniodonto aparece em 1º lugar orgânico. O problema é o que vem antes: quatro blocos pagos de Amil Dental, Hapvida (R$23,90), Unimed (R$79) e um afiliado anunciando "Bradesco Dental Garanhuns" com planos de R$54,99 a R$139,90.
Ou seja: quem mora aqui vê R$23,90 antes de ver a Uniodonto. A âncora de preço da categoria está sendo definida pelo concorrente, de graça, todo dia.
Buscas por "plano odontológico empresarial Garanhuns" trazem páginas de terceiros intituladas literalmente "Uniodonto Garanhuns", como o portal seu-convenio.com, que captura o contato e lista Hapvida, Amil, Bradesco e SulAmérica como alternativas na mesma página.
Também disputam o termo local: OdontoPrev ("a partir de R$27,42"), Interodonto, SulAmérica Odonto, Total Saúde e outros comparadores. A demanda de marca construída em 30 anos está vazando para o concorrente.
| Item | Como está | Efeito |
|---|---|---|
| Descrição no Google | Sem meta description em 10 de 10 páginas. O Google monta o texto sozinho e escolheu exibir "Plano Premium. R$140,00/mês". | O único preço que aparece na busca é o mais caro dos dois. O plano de R$60 fica invisível. |
| Estrutura de título | Home e mais 4 páginas sem H1. Institucional com dois H1. Uma página com "Pano Premium" no título. | O Google não entende qual é o assunto principal de cada página. |
| Dados estruturados | Nenhum schema.org no site. Sem LocalBusiness, sem Organization, sem FAQ. | Perde painel de conhecimento, estrelas e destaques na busca local. |
| Conteúdo | 26 páginas no sitemap e 1 único post publicado. Nenhum plugin de SEO instalado. | Zero captura de busca informacional, que é o topo de funil mais barato que existe. |
| Página empresarial | Existe /plano-empresarial/, a partir de 3 vidas, com desconto em folha e livre adesão. Sem preço. | Página pronta, boa, e não recebe um clique de mídia paga. |
Categoria cadastrada como "Clínica odontológica", e não como operadora de plano. Não exibe telefone no perfil. Aberto até 18h. Endereço e site corretos.
Uma clínica particular a cem metros da sede, na mesma Rua Dr. José Mariano, com telefone visível no perfil. É esse cartão que aparece ao lado do da Uniodonto em qualquer busca por dentista na cidade.
Uma nota 3,1 contamina tudo o que vier depois. Ela aparece no mapa, no painel lateral da busca, na extensão de avaliação do Google Ads e na decisão final de quem estava pronto para contratar. Subir campanha de pesquisa com 3,1 estampado no perfil é pagar caro para levar gente até uma objeção.
E o mais absurdo: eles têm IDSS 9 de 10 na ANS, cerca de 6,9 mil beneficiários, 88 clínicas e 56 laboratórios credenciados na região. Uma operadora com nota quase máxima do regulador está com 3,1 no lugar onde o cliente realmente olha.
A ordem não é opcional. Google Ads sem conversão configurada não aprende, e hoje o site não registra conversão nenhuma. A rede de pesquisa entra depois da fundação, e quando entrar, a briga não é por preço: contra R$23,90 de operadora nacional a Uniodonto não ganha no número, ganha em rede local, urgência 24h presencial, 30 anos e IDSS 9. Nada disso está escrito em lugar nenhum hoje.
Tudo acima foi levantado sem acesso a nenhuma conta. As respostas abaixo mudam o desenho da proposta e por isso vêm antes dela.
Qual a verba mensal atual em Meta Ads?Define se o trabalho é otimizar o que existe ou reestruturar com verba nova.
Custo por conversa iniciada e volume mensal de conversas.Sem isso não dá pra afirmar nada sobre fadiga de criativo nem sobre eficiência atual.
Quantas vidas novas por mês fecham vindas do digital?É o número que transforma custo por conversa em custo por venda.
Quem atende hoje o WhatsApp comercial, em qual horário, e onde isso é anotado?Determina se o gargalo é tráfego ou atendimento. Muito comum ser o segundo.
Existe alguém gerenciando os anúncios hoje, interno ou agência?Muda a conversa de contratação e a transição de acessos.
O HubSpot é usado de verdade ou só o formulário gratuito está plugado?Se já existe base lá dentro, o CRM pode ser evolução em vez de troca.
Ticket médio real e permanência média do beneficiário.Define o teto saudável de custo de aquisição e justifica a verba.
Existe meta de plano PJ e alguém para atender empresa?Define se a frente B2B entra na fase 1 ou fica para depois.
Quem mexe no site e qual a liberdade de alteração?Metade dos achados críticos depende de acesso ao WordPress e ao GTM.
Já existe conta de Google Ads, mesmo parada?Conta antiga com histórico vale ouro. Conta nova começa do zero em aprendizado.
Quem tem acesso ao perfil do Google Meu Negócio?Sem o acesso, não dá para corrigir categoria, telefone nem responder avaliação.
Quantos beneficiários ativos e existe canal para falar com eles?É a matéria-prima da campanha de avaliações que tira a nota do 3,1.
A leitura do diagnóstico aponta para um trabalho em três fases, na ordem abaixo. Fazer tráfego antes de consertar a fase 1 é continuar pagando por movimento.